O acesso a cultura é um direito inalienável do indivíduo e o acesso aos bens culturais produzidos e distribuídos na cidade deve também fazer parte de uma política pública de cultura. Hoje, nas grandes cidades, o pensamento em torno das políticas culturais extrapola o mero financiamento, e se dedicam também a outras políticas públicas que levem a uma efetiva democratização do acesso e estes bens. Na cidade do Recife, por exemplo, aos domingos, todos os usuários têm direito a meia-passagem, sem restrição. Em outras cidades do país, como Campo Grande (MS) e Cuiabá (MT), o Passe Livre para estudantes e aposentados já é uma realidade.
A cultura desempenha um papel fundamental na formação da sociedade, e principalmente da juventude. O acesso a cultura é definidor no processo de formação da “identidade cultural”, pois tanto restringe quanto amplia os horizontes para uma formação cultural de qualidade, heterogênea e libertadora. De nada adianta uma cena cultural em que produtores e artistas se empenham para produzir aquilo que há de mais rico na cidade, a sua cultura, se para o público não há condições viáveis de se ter acesso a tais bens culturais. De nada adianta a cultura pública e gratuita se o público é privado do seu acesso. O artista não é nada sem seu público.
Hoje, o custo com o transporte público chega a ser o terceiro maior gasto no orçamento das famílias brasileiras (IBGE, 2007). A cada aumento, fica mais difícil para o/a trabalhador(a) sustentar dignamente sua família. O transporte, assim como a cultura, é um direito, e não apenas um serviço. É, portanto, um direito que garante outros direitos. E é com esse entendimento que nos colocamos em apoio ao movimento que hoje se ergue e se mantém em luta contra o aumento das passagens em João Pessoa. A exemplo de Campina Grande, cidade onde o aumento também chegou a R$ 2,10, e onde diversos movimentos populares também pressionaram e conquistaram a redução da tarifa.
Historicamente, o Movimento Estudantil, bem como outros (Mov. Negro, LGBT, Mulheres, etc.), têm forte ligação e atuação na área cultural da cidade. Tais contribuições se traduzem na organização de festivais, de espaços de debate sobre a cultura da Paraíba, em reivindicações políticas que pautam a cultura como instrumento de formação e transformação social. Agora, o Movimento Cultural da Paraíba, a partir de entidades, grupos e indivíduos envolvidos com a cultura do Estado e que assinam esta carta, também se faz solidário as lutas travadas por estes estudantes e trabalhadores, por acreditarmos no papel social da arte e na responsabilidade do artista para com a sociedade.
Os agentes da cultura na cidade – produtores, comunicadores, artistas e o próprio público – entendem bem as dificuldades de se manter a efervescência do cenário cultural da cidade, onde, na maioria das vezes, é preciso ser, de fato, um guerrilheiro. Por isso, acreditamos e defendemos a CULTURA LIVRE, a cultura sem amarras, que só conquistaremos quando avançarmos sobre o acesso democrático aos bens culturais produzidos e oferecidos na cidade.
Ainda nos posicionamos contrários aos acontecimentos ocorridos no dia 12 de janeiro, onde manifestantes contra o aumento das passagens foram agredidos, num ato de extrema intolerância. Somos a favor da liberdade de expressão e da livre manifestação do pensamento, por isso acreditamos que João Pessoa precisa avançar rumo a uma CULTURA DA PAZ, onde cada cidadão e cidadã possa expressar suas idéias e fazer valer a sua voz.
As/os que assinam esta nota são solidárias/os às/aos estudantes e trabalhadoras/es em luta CONTRA O AUMENTO DAS PASSAGENS e por um amplo debate acerca da política de transporte público envolvendo o conjunto da sociedade pessoense.
I really never imagined this many people would find our plea so worthy of attention. It is humbling to see how much this resonates with all of you. You are the ones truly fueling this momentum.
3 Comments
J
Juliana Sharpe
15 years ago
Featured
Absurdo pagar tanto pra circular na cidade. A cultura tem que ser pra todo mundo e nao um privilegio de quem tem dinheiro pra pagar transporte
T
Tiago Cooper
15 years ago
Featured
RIDICULO. Transporte caro trava a vida da gente e o acesso a shows e museus. BORA MUDAR ISSO JÁ
R
Ricardo Lowe
15 years ago
Featured
Cultura é direito básico. Se a passagem caro o povo nao vai nos eventos e a cidade morre.
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A cultura desempenha um papel fundamental na formação da sociedade, e principalmente da juventude. O acesso a cultura é definidor no processo de formação da “identidade cultural”, pois tanto restringe quanto amplia os horizontes para uma formação cultural de qualidade, heterogênea e libertadora. De nada adianta uma cena cultural em que produtores e artistas se empenham para produzir aquilo que há de mais rico na cidade, a sua cultura, se para o público não há condições viáveis de se ter acesso a tais bens culturais. De nada adianta a cultura pública e gratuita se o público é privado do seu acesso. O artista não é nada sem seu público.
Hoje, o custo com o transporte público chega a ser o terceiro maior gasto no orçamento das famílias brasileiras (IBGE, 2007). A cada aumento, fica mais difícil para o/a trabalhador(a) sustentar dignamente sua família. O transporte, assim como a cultura, é um direito, e não apenas um serviço. É, portanto, um direito que garante outros direitos. E é com esse entendimento que nos colocamos em apoio ao movimento que hoje se ergue e se mantém em luta contra o aumento das passagens em João Pessoa. A exemplo de Campina Grande, cidade onde o aumento também chegou a R$ 2,10, e onde diversos movimentos populares também pressionaram e conquistaram a redução da tarifa.
Historicamente, o Movimento Estudantil, bem como outros (Mov. Negro, LGBT, Mulheres, etc.), têm forte ligação e atuação na área cultural da cidade. Tais contribuições se traduzem na organização de festivais, de espaços de debate sobre a cultura da Paraíba, em reivindicações políticas que pautam a cultura como instrumento de formação e transformação social. Agora, o Movimento Cultural da Paraíba, a partir de entidades, grupos e indivíduos envolvidos com a cultura do Estado e que assinam esta carta, também se faz solidário as lutas travadas por estes estudantes e trabalhadores, por acreditarmos no papel social da arte e na responsabilidade do artista para com a sociedade.
Os agentes da cultura na cidade – produtores, comunicadores, artistas e o próprio público – entendem bem as dificuldades de se manter a efervescência do cenário cultural da cidade, onde, na maioria das vezes, é preciso ser, de fato, um guerrilheiro. Por isso, acreditamos e defendemos a CULTURA LIVRE, a cultura sem amarras, que só conquistaremos quando avançarmos sobre o acesso democrático aos bens culturais produzidos e oferecidos na cidade.
Ainda nos posicionamos contrários aos acontecimentos ocorridos no dia 12 de janeiro, onde manifestantes contra o aumento das passagens foram agredidos, num ato de extrema intolerância. Somos a favor da liberdade de expressão e da livre manifestação do pensamento, por isso acreditamos que João Pessoa precisa avançar rumo a uma CULTURA DA PAZ, onde cada cidadão e cidadã possa expressar suas idéias e fazer valer a sua voz.
As/os que assinam esta nota são solidárias/os às/aos estudantes e trabalhadoras/es em luta CONTRA O AUMENTO DAS PASSAGENS e por um amplo debate acerca da política de transporte público envolvendo o conjunto da sociedade pessoense.
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J
Juliana Sharpe
15 years ago
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Absurdo pagar tanto pra circular na cidade. A cultura tem que ser pra todo mundo e nao um privilegio de quem tem dinheiro pra pagar transporte
T
Tiago Cooper
15 years ago
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RIDICULO. Transporte caro trava a vida da gente e o acesso a shows e museus. BORA MUDAR ISSO JÁ
R
Ricardo Lowe
15 years ago
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Cultura é direito básico. Se a passagem caro o povo nao vai nos eventos e a cidade morre.
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