Exmo. Sr. Presidente da República,
Exmos. Senhores Deputados à Assembleia da República,
Meritíssimos Juízes do Tribunal Constitucional,
Exmo. Sr. Provedor de Justiça:
Nós, Portugueses, abaixo-assinados, tendo em conta a
situação de emergência Nacional,resultado
do delapidar dos parcos recursos
nacionais por sucessivos governos
populistas e centralistas, que
consideramos resultado de uma Constituição
ideologicamente suspeita e acima de tudo temporalmente caduca, proclamamos o nosso repúdio à Constituição
vigente.
Consideramos que a alínea a) do número 4 do artigo 115º da Constituição, que exclui a possibilidade de referendar alterações à mesma, bem
como a necessidade de uma quase inatingível maioria de parlamentar de 2/3 para
a sua revisão, constituem uma aberração
aos mais basilares princípios da democracia, bem como um inaceitável acto de colonialismo da geração de 1976
relativamente à nossa, contrários ao
direito à autodeterminação dos povos consagrado na Declaração Universal dos
Direitos do Homem e na própria Constituição de 1976.
Consideramos ainda que o
sistema político por ela imposto, assente
·Num imenso centralismo,
que impede a boa avaliação das necessidades das populações locais, e uma desresponsabilização dos autarcas no
uso do dinheiro dos contribuintes, por grande parte deste vir do Orçamento de
Estado e não de impostos locais;
·Num excessivo
peso do Estado na economia,
retirando-lhe recursos, usando-os ineficientemente e ainda empatando-a quanto pode
devido a excessos burocráticos;
·Pior, permitindo as gritantes promiscuidades entre os grandes Grupos e o
Estado, resultado de uma infiltração de responsáveis políticos na gestão, e
vice-versa, procurando favores, e dificultando
a justa concorrência por parte
das PME’s com legítima vontade de chegar a GE’s, que só contribuiria para
aumentar a qualidade e eficiência gerais dos serviços prestados aos
Portugueses;
·Na invenção de “direitos adquiridos” por políticos cuja verdadeira preocupação é,
não o progresso sustentável das condições de vida de toda a população, mas
apenas o aumento da clientela para
as eleições seguintes, direitos esses em
que se torna impossível mexer, independentemente de quem esteja no poder, devido
à demagogia da oposição, ao medo do governo, ao chinfrim dos sindicatos e à
ameaça sombria da sacrossanta constituição;
·Em que se usam os descontos de toda uma vida dos portugueses para os chamados
fundos de “Segurança Social” para obras de
Engenharia Social. A geração mais
nova já percebeu que será obrigada a descontar para um seguro de que nunca usufruirá,
pela simples razão que esse dinheiro não é guardado para as suas reformas, mas
para políticas piedosas de redistribuição. Os impostos poderão ser redistributivos,
os serviços de segurança social, nunca! Não entendemos, também, porque não nos
é permitido optar por um serviço prestado por um privado que nos pareça ser
mais atractivo (não é difícil, bastaria que nos dessem 20-30% de probabilidade
de ver o nosso dinheiro de volta...). Respondem-nos:
—Ninguém vos impede de arranjar um PPR!
Pois não, mas o que é que fariam se o vosso
fornecedor de comunicações vos cortasse a internet
sem baixar o preço e respondesse que podiam muito bem pagar à concorrência para
vos prestar esse serviço que vocês tinham já contratado??? E se o fornecedor
desonesto fosse obrigatório e desse direito a execução fiscal???
·Numa ausência
de responsabilização dos detentores de cargos públicos, patente nos
inconsequentes escândalos com graus académicos de Primeiro-Ministros,
condenações de Autarcas sem execução da pena, ausência de limite aos gastos
públicos, resultante em sucessivas bancarrotas do país,
etc.;
·Na ausência
de verdadeira separação de poderes, que culmina em decisões políticas por
parte de tribunais e na existência de dois tribunais
de nomeação política – Tribunal de Contas e Tribunal Constitucional – sendo
que um deles é inconsequente e ao outro chega a ser permitido (exigido?) que
julgue em causa própria,
constitui
o principal obstáculo ao progresso da
nação portuguesa.
Constatamos que os principais problemas que o nosso país enfrenta não são derivados de defeitos congénitos da nossa raça (todos conhecemos a
velha história de que “lá fora” somos dos melhores trabalhadores, dos melhores
patrões, dos melhores investigadores... Afinal até nos revelámos “o melhor povo
do mundo”!), mas de regras do jogo mal
desenhadas, que facilitam o abuso e não premeiam o que é bem feito.
Assim, exigimos a
renovação total do Texto Fundamental da
Nação Portuguesa, nas seguintes bases:
·Deve reafirmar
Portugal como nação Soberana fundada (Constituída) em 1143 e reestabelecida
em 1640, segundo a Vontade e a custo do sangue do seu Povo, sedento de
Liberdade;
·O texto deve primar pela simplicidade, sendo passível de compreensão por parte de qualquer
cidadão em plena posse das suas faculdades mentais, independentemente da
sua formação jurídica;
·Deve ser um texto
conciso e desprogramado ideologicamente, permitindo o saudável exercício da
acção governativa por parte dos eleitos pelos portugueses em cada momento, e de
acordo com as suas expectativas;
·Que consagre como forma única de alteração deste texto seja a aprovação em referendo por maioria de 50% dos cidadãos em idade
eleitoral;
·Que o referendo possa ser convocado por recolha de assinaturas de um número razoável de
cidadãos, de maneira similar à vigente na Confederação Suíça;
·Que afirme o respeito pelos direitos fundamentais, começando pela Vida, Liberdade, Propriedade Privada, Cidadania e Justiça;
·Em respeito pelo princípio da subsidiariedade, dever-se-á privilegiar
o municipalismo como melhor maneira
de corresponder às expectativas dos cidadãos. Dever-se-á transferir o maior número possível de poderes para a esfera local, nomeadamente a maioria da política
fiscal, permitindo aos cidadãos uma mais
racional análise custo-benefício relativamente ao uso da “coisa pública”.
Constitui esta uma verdadeira Ética Republicana de acordo com o sentido
semântico do termo, independentemente da forma da Chefia de Estado;
·Que sustente uma maior responsabilização dos eleitos perante o seu eleitorado e as suas
ideias, e menos perante a máquina partidária;
·Que deixe claro que todos os direitos que dependam do dinheiro dos
contribuintes dependam também da capacidade
destes para os pagar, e não se
perpetuem quando os factores que justificaram a sua criação não mais subsistam;
·Que reconheça a natureza capitalizadora, não redistributiva e livre da chamada Segurança
Social;
·A imposição de um limite intransigentemente intransponível ao deficit orçamental,
para que o futuro dos portugueses não
volte a ser hipotecado por decisões irresponsáveis resultantes da
circulação de capitais a taxa de juro muito reduzida em épocas de optimismo
que, vem-se sempre a saber, foi exagerado.
·Dever-se-á ainda impor um limite à dimensão e poderes do Estado central, à sua capacidade
de intervenção na economia privada, e ainda
à carga tributária, para que a
população não seja mais meia-escrava de um Estado prepotente e ineficiente.
Esperamos que acolham esta iniciativa não como hostil, mas
como um contributo para a salvação do País e para que a actual geração seja,
finalmente, verdadeiramente escutada quanto ao seu futuro, por um país Livre, Democrático e Responsável!
Já passou a hora de mudar isto! A constituição está completamente desatualizada e só serve para proteger os interesses de sempre enquanto o país estagna. Precisamos de reformas a sério já