Contra a força das coisas, os ventos de junho
Por uma
Frente da Esquerda Socialista em São Paulo
Já dizia o poeta, “São tão fortes as coisas / Mas
eu não sou as coisas e me revolto”. Fortes são o PSDB e o PT, as corporações e
os bancos, as empreiteiras e a Fifa, a Polícia Militar e os grupos de
extermínio. Fortes são essas coisas. Mas também são fortes os gritos das ruas,
as pessoas das praças, as multidões que protestam, a juventude que se manifesta,
os trabalhadores que fazem greves, as mulheres que lutam, os homossexuais que
reivindicam, os sem teto que pedem casa, os sem terras que querem plantar, as
negras e os negros que resistem, os ecossocialistas que combatem. Também são
fortes os ventos que sopram desde junho em nosso estado.
A força das coisas deteriorou a vida política
em São Paulo. Alkimin e Haddad não discutem alternativas reais e sim quem obtém
ou obteve o melhor ou o pior resultado na aplicação de um modelo único. Preparam-se
agora para mais uma guerra midiática, para reprimir demandas reais e alimentar
frustrações. Foi contra isso que os ventos de junho sopraram. Eles carregavam
um grito contra a vida precária e a violência cotidiana, que são decorrência
desse modelo único de acumulação capitalista predominantemente financeira. O
que os ventos diziam era “Basta!”
Para fazer frente à força das coisas é necessário
convocar mais uma vez essas correntezas e
que suas vozes sejam ouvidas novamente nas eleições deste ano. Para isso é
imprescindível que o PSOL, o PSTU e o PCB, os partidos que estiveram juntos nas
ruas, lancem uma candidatura única ao governo do estado; construam uma Frente
de Esquerda Socialista; apresentem um programa comum que expresse a oposição de esquerda socialista
em São Paulo e as demandas de junho; respeitem as diferenças que existem;
reconheçam o peso e a importância de cada um na aliança.
Sim, as coisas são fortes. Mas os ventos de
junho também. E para soprarem nesta eleição precisamos de uma Frente de
Esquerda Socialista em São Paulo.
Primeiros
signatários:
Vladimir Safatle (professor USP)
Henrique Carneiro (professor USP)
Ricardo Antunes (professor Unicamp)
Boris Vargaftig (professor USP)
Plínio de Arruda Sampaio Jr. (professor
Unicamp)
Ruy Braga (professor USP)
precisamos de uma alternativa real ja. a esquerda precisa se unir fora das amarras institucionais