Ponte da Arrábida a Monumento Nacional

Xavier Romão
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Foto: Álvaro Azevedo

Razões para classificação da Ponte da Arrábida como Monumento Nacional
  1. A Ponte da Arrábida constitui uma obra-prima da Engenharia de Pontes, sendo como tal reconhecida internacionalmente. Aquando da sua conclusão, em 1963, constituía a ponte em arco de betão armado com maior vão em todo o mundo. O seu processo construtivo, ao abrigo de um cimbre metálico em arco apoiado nas duas margens, com peso de 2200 toneladas, e colocado sucessivamente em três posições distintas, constituiu uma operação de extraordinário rigor e engenho, nunca antes realizada.

  2. A Ponte da Arrábida é a primeira grande ponte sobre o rio Douro integralmente concebida, projectada e construída pela Engenharia Portuguesa. O seu autor, Engenheiro Edgar Cardoso, notabilizou-se como projectista de pontes, combinando sabiamente nas suas obras, espalhadas por quatro continentes, engenho, ousadia, inovação, sensibilidade e apuro estético. No acervo de obras que deixou a Ponte da Arrábida é, para muitos especialistas, a sua maior obra-prima.

  3. O estuário do rio Douro junto ao Porto contém um notável conjunto de pontes de diversos tipos, materiais e épocas. O facto de a Ponte da Arrábida se inserir em tão singular conjunto, confrontando-se na concepção, na forma, no material e na inserção nas margens com as restantes pontes, não só acrescenta valor ao conjunto como é também por este altamente valorizada. Desta forma, o conjunto das pontes no estuário do Douro tem valor bastante superior ao do simples somatório de cada uma.

  4. Ao longo das últimas décadas a Ponte da Arrábida tornou-se um dos mais poderosos símbolos da Cidade, provavelmente aquele que no futuro melhor simbolizará o Porto do século XX. No presente, a Ponte da Arrábida, para além da sua relevância utilitária como principal ligação entre as duas margens do rio no coração da Área Metropolitana do Porto, constitui Património no sentido mais nobre do termo. A identificação da Ponte com a Cidade e os Cidadãos do Porto foi muito forte desde a sua conclusão mas – como acontece com aquelas construções de excepcional apuro estético – reforça-se uma e outra vez sempre que cada um nela, e no seu sítio, descobre novas perspectivas.

  5. Tal como no nosso século XXI podemos usufruir das pontes que os nossos antepassados construíram no século XIX e consideramos impensável delas prescindir, impõe-se que deixemos aos vindouros as pontes que construímos no século XX. Compete assim ao Estado Português empregar os meios necessários para assegurar a funcionalidade e a integridade da estrutura, por meio de obras regulares de conservação, aplicando as tecnologias mais apropriadas que a investigação no domínio do tratamento das estruturas de betão venha a desenvolver.

  6. De entre as pontes do estuário do rio Douro, a Ponte da Arrábida é a ponte mais próxima da foz. Insere-se numa área sensível em que têm surgido novas construções, em ambas as margens, quer à cota alta, quer à cota das duas estradas marginais. Por outro lado, novas pontes sobre o rio Douro, não longe do sítio da Ponte da Arrábida, têm sido alvo de ponderação e discussão pública no passado recente. É imperioso que quaisquer novas construções e estruturas na zona sejam apreciadas tomando em devida consideração o extraordinário valor patrimonial da Ponte da Arrábida.

  7. A Ponte da Arrábida completa 50 anos no próximo dia 22 de Junho de 2013, ano em que se completa o centenário do nascimento na cidade do Porto do seu autor, o Engenheiro Edgar Cardoso.
Pelas razões apresentadas os abaixo assinados consideram que, ao abrigo da legislação aplicável, a Ponte da Arrábida deve ser classificada como Monumento Nacional.

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O Pedido de Classificação da Ponte da Arrábida como Monumento Nacional deu entrada na Delegação Regional de Cultura do Norte (DRCN) a 2 de Agosto de 2010. Em face da informação favorável dos serviços da DRCN, esta elaborou Proposta de Abertura do Procedimento de Classificação da Ponte da Arrábida, enviada a 9 de Novembro de 2010 ao Instituto para a Gestão do Património (IGESPAR).


O presente abaixo-assinado foi lançado em 17/12/2010 na Faculdade de Engenharia da Universidade do Porto (FEUP) em sessão em que participaram, como primeiros subscritores:

• Sebastião Feyo de Azevedo, Director da FEUP
• Carlos Matias Ramos, Bastonário da Ordem dos Engenheiros
• Manuel de Matos Fernandes, Director do Departamento de Engenharia Civil (DEC) e subscritor do Pedido de Classificação
• Luís Braga da Cruz, Professor de História da Engenharia Civil (DEC)
• Raimundo Delgado, Professor de Estruturas (DEC)
• Augusto de Sousa,
Professor de Engenharia Informática
• Esmeralda Paupério, colaboradora do Instituto da Construção (DEC)
• Álvaro Azevedo, Professor de Estruturas (DEC)
• José Fernando Martins, estudante de doutoramento de Engenharia Informática
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